h1

O segundo fora

29/05/2012

A segunda vez que eu me declarei para um garoto, eu tinha 8 ou 9 anos. A idade não é exata porque não sei em que mês que aconteceu. O nome dele era Bruno, ele era da minha turma, na 4ª série. Ele era bonito, legal, era um dos meninos com quem eu mais conversava, e acabei me apaixonando por ele. Como eu já sabia que escrever carta de amor não funcionava, resolvi tomar coragem e falar na cara. Um belo dia, no fim da aula, ele foi um dos últimos a sair da sala. Eu saí atrás dele, falei “Bruno, preciso falar com você”. “O que é?”. Meu coração parecia que ia sair pela boca. “Eu gosto de você”, disse, finalmente, com olhar apaixonado. E ele “mas eu não gosto de você”, e saiu. Nunca mais falou comigo.

E este foi o segundo fora que eu levei.

h1

O primeiro fora

29/05/2012

A primeira vez que eu me declarei para um garoto, eu tinha 6 ou 7 anos. A idade não é exata porque não sei em que mês que aconteceu. O nome dele era Gustavo, ele era da minha turma, na 2ª série. Eu escrevi uma carta de amor para ele com papel de carta perfumado (quem gostava de colecionar papeis de carta entende o sacrifício de se desperdiçar uma folha).  Eu sempre tive essa veia escritora, e tive a ideia escrota de entregar esta carta. Como eu não tinha coragem de entregá-la pessoalmente, pedi à minha melhor amiga da época, a Lidiane, para entregá-la a ele para mim. No dia seguinte fiquei sabendo que ele leu, rasgou a carta, e ficou me sacaneando pra todo mundo.

E este foi o primeiro fora que eu levei.

h1

Sobre o choro incompreendido

29/05/2012

Uma das coisas mais difíceis para mim é descobrir porque eu choro. São tantas lembranças, tantas inseguranças, tanto medo reprimido em um corpo e uma feição que só deseja mostrar competência e esconder sua vulnerabilidade. Frequentemente eu penso em desistir, em desapontar as pessoas, em dizer “eu tentei, mas não deu”. Só que eu não desisto, isso não algo meu. Eu sofro, mas sigo até o fim e termino o que comecei.

Hoje fui acordada por minhas próprias lágrimas. Com algum custo, perguntei-me, afinal, por que eu chorava. Só há pouco elas me disseram o porquê. Eu choro porque não tenho controle sobre o que eu sinto e sobre quem eu amo. É como se desejo e realidade andassem paralelos, sem nunca poder convergir. Não é culpa de ninguém, é só a realidade que se mostrou dura para mim há algum tempo, eu compreendi, mas só agora eu consegui me expressar.

Essa realidade, eu bem que tentei me conformar com ela, achando que é assim mesmo, faz parte da vida adulta. Não se pode ter tudo o que se quer. Mas no meu caso, eu nunca tive nada. Nunca tive ninguém para chamar de meu, ninguém que eu pudesse gritar ao mundo que é meu. Tampouco sei se algum dia eu terei. Dizem “mas quantos anos você tem? Você é nova ainda!”. Não, não sou nova. Sou velha para ainda não distinguir quando alguém gosta de mim ou não. Eu só queria ser especial na vida de alguém e eu nunca consigo isso porque sempre aparece alguém e tira isso de mim.

Só Deus sabe o quanto eu gostaria de ser explícita ao falar de mim, do que eu sinto. Mas Ele não me fez assim, e eu sempre vou atropelar as palavras e dar a entender o contrário do que eu queria. Elas são reflexo do que se passa dentro de mim, entre o dizer e o querer dizer, o subentendido, a entrelinha, o “eu gosto de você” que quer dizer “eu quero você na minha vida pra sempre”, o “não, eu não tô brava” que na verdade é “tô puta sim, porque você finge não entender que eu gosto de você”, essa semântica confusa do meu interior. É por isso que eu choro, não por não me entender, mas por não me fazer entender, e não ter o que eu desejo por me expressar mal.

h1

Feliz natal o ca****lho

24/12/2011

Termino o ano esgotada pela dor e pela a tristeza, engolida pelo cansaço e pela falta de esperança. Conheci pessoas especiais, mas não me tornei especial para ninguém em especial. Foi um ano em parte sufocante pelo trabalho, pela vida familiar e pelos relacionamentos afetivos.

Como continuar desse jeito? Quando não há mais alegria nas palavras, quando ficar se torna insuportável. Fugir? Eu tenho direito a isso sem ser chamada de covarde? Deus me daria o milagre de fugir da prisão que é minha própria existência medíocre?

Este ano foi mais um em que eu não fiz a diferença para o mundo, não completei as tarefas a que me propus, e talvez termine como a grande perdedora. Eu perdi a mim mesma no processo de ser alguém para os outros. E o pior é que não obtive o reconhecimento de ninguém.

Ainda assim, 2011 não é um ano para se esquecer. Amadureci em muitos e dolorosos aspectos, e tenho adquirido força pra lutar contra quem eu quero fugir. A solidão, o desamor, a rejeição, a cobrança, o excesso e a falta de controle, estes são meus inimigos, que eu terei de lidar em 2012.

Que Deus me ajude, amém.

h1

Let It Die (Parte II?)

11/11/2011

Em uma breve reflexão sobre os erros que cometi ao longo desta breve vida, percebo que todos eles começaram com um beijo. Como um beijo apaixonado pode ser tão errado? Meus caros, digo-lhes: nunca um beijo me custou tão caro. Paguei com mágoas, decepções, lágrimas, muitas lágrimas, e um sentimento de que eu nunca vou me recuperar. As cicatrizes se acumulam umas por cima das outras. Tornam-me mais forte? Talvez, mas quando tento arrancá-las, dói. Muito.

Deixo-lhes com a Feist, ela que me ensinou que o problema não é quando um amor termina, mas sim, quando começa.

Let it die and get out of my mind
We don’t see eye to eye
Or hear ear to ear

Don’t you wish that we could forget that kiss
And see this for what it is
That we’re not in love

The saddest part of a broken heart
Isn’t the ending so much as the start

It was hard to tell just how I felt
To not recognize myself
I started to fade away

And after all it won’t take long to fall in love
Now I know what I don’t want
I learned that with you

The saddest part of a broken heart
Isn’t the ending so much as the start
The tragedy starts from the very first spark
Losing your mind for the sake of your heart
The saddest part of a broken heart
Isn’t the ending so much as the start

h1

A criança que não sabe perder

05/10/2011

Minha mãe há muito já me dizia. “Você nunca soube perder, desde pequenininha”. É, eu nunca soube mesmo. Pique-bandeirinha, coelhinho-sai-da-toca, buraco, crapô, cancan, uno, todas as brincadeiras, eu nunca souber perder.

Como boa criança mimada que sou, gosto muito de ganhar. Eu quero ganhar e não quero perder você.

h1

O susto

20/09/2011

- Seríamos, se fôssemos…

- Mas não somos.

- Seremos?

- Não sei, preciso pensar…

- Epa, isso não tava no conto original.

- CONTO? Você escreveu um CONTO sobre mim?

- Ops…

h1

A negociação

19/09/2011

- Você se lembra do nosso primeiro beijo?

- Sim, claro.

- E a segunda vez?

- Também.

- E a terceira, você lembra também?

- …

- Não lembra?

- Não teve uma terceira vez.

- Mas vai ter?

- Depende.

- Do que?

- Vai ter uma quarta?

- Se tiver a terceira, sim.

- E depois da quarta?

- Aí a gente vê o que faz.

- Entre a terceira e a quarta tem que ter uma pergunta.

- Por quê?

- Porque já faz tempo que teve a primeira e a segunda vez, então a terceira vai ser como a primeira, e aí tem a pergunta, e depois, dependendo da resposta, vai ter a quarta, que na verdade vai ser a segunda.

- Você tá me confundindo.

- Sabe o lance do primeiro beijo? Aquele dos “ses”?

- O que que tem?

- É mais ou menos isso.

- Deixa eu ver se entendi. Estamos negociando o primeiro beijo, que na verdade é o terceiro, que vai definir se eu aprendi a conjugar?

- Exatamente. Seríamos se fôssemos, mas não somos. Seremos?

- Podemos, depende de você. Posso ter meu terceiro primeiro beijo, agora?

- Sim senhor.

*Obs: Não entendeu nada? Clique aqui e aqui.

h1

Aprendendo a conjugar

14/09/2011

Seríamos se fôssemos, mas não somos.

h1

Perdão

20/07/2011

Peço perdão por não ter feito tudo que estava ao meu alcance. Baixinha que sou, não consegui chegar ao alto-escalão.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 108 other followers