Uma das coisas mais difíceis para mim é descobrir porque eu choro. São tantas lembranças, tantas inseguranças, tanto medo reprimido em um corpo e uma feição que só deseja mostrar competência e esconder sua vulnerabilidade. Frequentemente eu penso em desistir, em desapontar as pessoas, em dizer “eu tentei, mas não deu”. Só que eu não desisto, isso não algo meu. Eu sofro, mas sigo até o fim e termino o que comecei.
Hoje fui acordada por minhas próprias lágrimas. Com algum custo, perguntei-me, afinal, por que eu chorava. Só há pouco elas me disseram o porquê. Eu choro porque não tenho controle sobre o que eu sinto e sobre quem eu amo. É como se desejo e realidade andassem paralelos, sem nunca poder convergir. Não é culpa de ninguém, é só a realidade que se mostrou dura para mim há algum tempo, eu compreendi, mas só agora eu consegui me expressar.
Essa realidade, eu bem que tentei me conformar com ela, achando que é assim mesmo, faz parte da vida adulta. Não se pode ter tudo o que se quer. Mas no meu caso, eu nunca tive nada. Nunca tive ninguém para chamar de meu, ninguém que eu pudesse gritar ao mundo que é meu. Tampouco sei se algum dia eu terei. Dizem “mas quantos anos você tem? Você é nova ainda!”. Não, não sou nova. Sou velha para ainda não distinguir quando alguém gosta de mim ou não. Eu só queria ser especial na vida de alguém e eu nunca consigo isso porque sempre aparece alguém e tira isso de mim.
Só Deus sabe o quanto eu gostaria de ser explícita ao falar de mim, do que eu sinto. Mas Ele não me fez assim, e eu sempre vou atropelar as palavras e dar a entender o contrário do que eu queria. Elas são reflexo do que se passa dentro de mim, entre o dizer e o querer dizer, o subentendido, a entrelinha, o “eu gosto de você” que quer dizer “eu quero você na minha vida pra sempre”, o “não, eu não tô brava” que na verdade é “tô puta sim, porque você finge não entender que eu gosto de você”, essa semântica confusa do meu interior. É por isso que eu choro, não por não me entender, mas por não me fazer entender, e não ter o que eu desejo por me expressar mal.
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